REINO DOS CÉUS

SEJA DEUS VERDADEIRO E TODO HOMEM MENTIROSO

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

ROTEIRO DE UM DEBATE - "O CRISTÃO PÓDE REPREENDER SATANÁS E SEUS DEMÔNIOS?"



Podemos repreender satanás e seu demônios? Achei curiosa esta postagem, porém a Palavra de de Deus é clara a respeito deste assunto. O autor fez uma análize a respeito de uma variante textual, a saber Mc 16: 9-20, que não se encontra nos manuscritos mais antigos e não há testemunho dos Pais da Igreja mais significativos como Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, Orígenes, Cipriano, Cirilo de Jerusalem, Atanásio e outros em face de Irineu, Tertuliano e Taciano que testemunham o final de Marcos vers 9-20 (Origem e Transmissão do NT – Wilson Paroschi, pgs 208 a 215 e Variantes textuais do NT – Roger L Omanson, pgs 102 a 104).
O autor desta postagem, o Leonardo Dâmaso, faz um comentário intrigante: “Portanto, devemos ser cautelosos antes de lançar mão desta passagem como prova irrefutável de que os cristãos podem repreender os demônios”. Isto me parece “teologia liberal”, pergunto então, se o Novo Testamento contém inúmeras variantes textuais e muitas apontam para uma ilegitimidade, então alguém poderia dizer que a Palavra de Deus (Biblia) não é confiável? Acredito que o autor não se expressou bem na sua abordagem a respeito deste assunto, pois a Palavra de Deus é Inerrante, Infalível e Poderosa. Seguem abaixo alguns textos, livres de variação textual, que mostram claramente que Jesus conferiu autoridade aos seus discípulos para repreenderem satanás e seus demônios. Lucas 10:17 Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!
Mateus 10:8 Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai. Marcos 6:13 expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo. Lucas 9:1 Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas. A minha conclusão é:
1- Foi dada autoridade por Jesus aos seus discípulos para expulsarem os demônios.
2- O ato de expulsar demônios não é exclusivo de Jesus mas o Senhor autorizou os seus a fazerem o mesmo.
3- Está correto orar “em nome de Jesus para expulsar ou repreender os demônios”.

Na introdução o autor chama a atenção para a historicidade do “movimento batalalha espiritual”, seus desdobramentos e alguns representantes; resalto que o assunto “BATALHA ESPIRITUAL” é bíblico e importantíssimo para a nossa edificação. Apenas cito o conhecido texto de Efésios 6:11,12 “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. O texto é claro quando indica que a nossa luta é contra forças espirituais que se encontram em luta contra a igreja de Cristo. Desta forma fica claro que existe uma “batalha” e é necessário que façamos um estudo teologico sobre o assunto, a luz da Palavra de Deus, para não sermos tachados de ignorantes. Ainda que a história deste movimento indique abusos e absurdos não podfemos deixar de lado este assunto.
Jesus veio a este mundo para desfazer as obras do diabo, embora o texto de IJoão 3:8 não enfoque este contexto de “REPREENDER Satanas”. Outros textos podem justificar o objetivo de Cristo no que tange expulsar os demônios. Notemos que o termo δαιμονιον daimonion ocorre 58 vezes no NT e o termo δαιμων daimon ocorre 4 vezes, totalizando 62 ocorrências, onde 53 delas estão nos evangelhos indicando que grande parte do ministério de Jesus foi voltado para a libertação demoníaca das pessoas. Então Jesus não “repreendeu os demônios algumas vezes em seu ministério terreno”, mas diversas e diversas vezes. Em Marcos 6:7,12,13 encontramos um “curioso” e esclarecedor texto no episódio da instrução aos doze: Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos. Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse; expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo. Além de Jesus ter exorcizado, repreendido, expulsado, humilhado os demônios os seus discípulos o fizeram também, claro e óbvio, em nome de Jesus. Destaco parte do texto de Leonardo Dâmaso: No livro de Atos, por sua vez, e nas cartas de Paulo, Pedro, João, Judas e Hebreus não encontramos qualquer um dos apóstolos usando o termo repreender ou ensinando a prática do mesmo. Esta citação do autor não é argumento suficiente para concluir que pelo fato dos apóstolos não terem feito citação doutrinária ou com algum exemplo prático, não devamos “repreender” os demônios em nome de Jesus. Por falar em exemplo prático, em Atos 16:16-18 está escrito “Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação. Isto se repetia por muitos dias. Então, Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, eu te mando: retira-te dela. E ele, na mesma hora, saiu”. Paulo não falou “eu te repreendo” mas “eu te mando: retira-te dela” se estás tão apegado ao termo “eu te repreendo” posso falar”EU TE MANDO”? (não estou justificando as barbáries realizadas por “pastores e ministros” irresponsáveis). “O motivo pelo qual não podemos estender o ato de repreender aos cristãos para cercear a ação dos demônios é em virtude da falta de evidências explícitas nas Escrituras para esta prática e porque repreender os demônios é uma prerrogativa exclusiva de Cristo” parece-me que este autor não conhece a Palavra de Deus: Lucas 10:17; Mateus10:8; Marcos6:13; Lucas 9:1.  O autor desta postagem, o Leonardo Dâmaso, faz um comentário intrigante: “Portanto, devemos ser cautelosos antes de lançar mão desta passagem como prova irrefutável de que os cristãos podem repreender os demônios”. Isto me parece “teologia liberal”, pergunto então, se o Novo Testamento contém inúmeras variantes textuais e muitas apontam para uma ilegitimidade, então alguém poderia dizer que a Palavra de Deus (Biblia) não é confiável? Acredito que o autor não se expressou bem na sua abordagem a respeito deste assunto, pois a Palavra de Deus é Inerrante, Infalível e Poderosa (parte de um comentário meu a respeito deste mesmo assunto). Não lançar mão deste texto por causa da problemática textual nos leva a crer que não podemos usar muitos outros textos bíblicos por causa da autenticidade. Isto descamba em desacreditar na Bíblia como a Palavra de Deus. É claro que o estudo das variantes textuais é de extrema importância para o estudante de teologia mas acredito que uma resposta mais abrangente seja necessária.
Vou refutar passo a passo a resposta de Leonardo Dâmaso e gostaria de honestidade na contra argumentação, se houver uma contra argumentação, a respeito, usando sobremodo a Palavra de Deus como arbitro entre nós. Não adianta de maneira alguma os “posicionamentos teológicos” se não houver a demonstração do embasamento bíblico que antecede qualquer posicionamento.
O seu artigo, Leonardo Dâmaso, foi lido e meus comentários, se você leu, estão criticando diretamente o “seu texto”, que em minha opinião não é honesto com a Palavra de Deus, mas comprometido com a sua visão teológica “reformada”. Sou Pentecostal, estudante de Teologia, membro de uma igreja Pentecostal equilibrada (a saber, IEVCA) e ovelha de um pastor que é referência; mais uma vez farei uma crítica, desta vez um pouco mais sistemática, as suas respostas frisando as suas afirmações postadas demonstrando que seu artigo não foi “equilibrado” como apoiou Morgana Mendonça Santos.
O Leonardo Dâmaso  escreve em resposta:“o cristão não pode REPREENDER Satanás e os demônios, isto é, utilizar esta terminologia - "Seja repreendido em nome de Jesus" ou eu te repreendo em nome de Jesus... Somente Jesus pode repreender Satanás e os demônios, pois isto que abordei no artigo ... No caso de repreensões a demônios esta prerrogativa é aplicada exclusivamente a Cristo e ninguém mais ... Até hoje ninguém conseguiu mostrar na Escritura que existe uma ordem explícita de Jesus aos apóstolos e aos cristãos em geral, dizendo: "Vocês podem REPREENDER Satanás e os demônios ... a TERMINOLOGIA "repreender"! Não existe! “.
1-  O cristão não pode REPREENDER Satanás e os demônios
Lucas 10:17; Mateus 10:8; Marcos 6:13; Lucas 9:1: ... os próprios demônios se nos SUBMETEM (REPREENDER) pelo teu nome ... EXPELI (REPREENDER) demônios ... expeliam muitos demônios ... deu-lhes PODER E AUTORIDADE (REPREENDER) sobre todos os demônios. O que os textos bíblicos estão realmente nos informando? Expelir, Submeter, ter Poder e Autoridade sobre algo ou alguém não seria Repreender?
Lucas 10:17 – “SUBMETER” υποτασσω hupotasso
1) organizar sob, subordinar
2) sujeitar, colocar em sujeição
3) sujeitar-se, obedecer
4) submeter ao controle de alguém
5) render-se à admoestação ou conselho de alguém
6) obedecer, estar sujeito

Mateus 10:8  e Marcos 6:13 “EXPELIR” εκβαλλω ekballo
1) expulsar, expelir, mandar sair
1a) com noção de violência
1a1) expelir (expulsar)
1a2) expulsar
1a2a) do mundo, i.e. ser privado do poder e influência que se exerce no mundo
1a2b) uma coisa: excremento da barriga na fossa
1a3) expelir uma pessoa de uma sociedade: banir de uma família
1a4) compelir alguém a partir; mandar alguém partir, de modo severo ainda que não violento na linguagem
1a5) empregado para expressar a idéia de que o movimento rápido de algo saindo é transferido para algo sendo lançado
1a5a) ordenar ou fazer alguém sair apressadamente
1a6) fazer sair com força, puxar
1a7) com implicacões da força superar força oposta
1a7a) fazer uma coisa se mover em linha reta até o seu alvo pretendido
1a8) rejeitar com desprezo, rejeitar ou jogar fora
1b) sem noção de violência
1b1) fazer sair, extrair, algo inserido em outra coisa
1b2) fazer sair, gerar
1b3) excetuar, omitir, i.e. não receber
1b4) levar ou conduzir a algum lugar com uma força que não se pode resistir

Caro amigo teólogo EXPELIR, EXPULSAR, SUBJUGAR, SUBMETER são sinônimos para “repreender”.

2-                 Somente Jesus pode repreender Satanás e os demônios, pois isto que abordei no artigo
3-                 Esta prerrogativa é aplicada exclusivamente a Cristo e ninguém mais
O item 2 e 3 são redundantes portanto merecem uma única resposta. É evidente e elementar que ainda que o cristão exerça a ação de expulsar ou repreender as forças malignas, isto se fará pelo poder do nome de Jesus. EXPELIR, EXPULSAR, SUBJUGAR, SUBMETER, REPREENDER é uma ação válida por qualquer cristão rendido a Cristo que o faça em nome de Jesus.
A exclusividade no quesito “exorcismo” se dá ao fato de que é em nome de Jesus que as forças infernais são subjugadas, mas é pela voz da igreja de Cristo que isto acontece. Portanto no nome de Jesus reside o poder que é usado pela Igreja de Cristo para expulsar os demônios repreendendo-os.

4-                 Até hoje ninguém conseguiu mostrar na Escritura que existe uma ordem explícita de Jesus aos apóstolos e aos cristãos em geral, dizendo: "Vocês podem REPREENDER Satanás e os demônios

Por favor! Diante disso farei breve comentário apenas no segundo texto citado abaixo:
Marcos 6:7,13 - Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes AUTORIDADE sobre os espíritos imundos. EXPELIAM muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo. (Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Atualizada)
Mateus 10:8 - Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, EXPELI DEMÔNIOS; de graça recebestes, de graça dai.
EXPELIR: sobre a signifacação deste termo o mesmo já se encontra no item 1. Acrescento portanto que εκβαλλω ekballo é um verbo no tempo presente, voz ativa (Voz Ativa representa o sujeito como o agente ou executor da ação), modo imperativo (O Modo Imperativo corresponde ao nosso imperativo, e expressa uma ordem ao ouvinte para realizar uma determinada ação por comando e autoridade daquele que a emite).
DEMÔNIOS: δαιμονιον daimonion
1) espírito, ser inferior a Deus, superior ao homem
2) espíritos maus ou os mensageiros e ministros do mal

Está mais que claro que Jesus deu esta ordem! EXPELI (REPREENDER) DEMÔNIOS!

5-                     A TERMINOLOGIA "repreender"! Não existe!
Quanto à questão da terminologia temos um grande problema; a teologia está repleta de “terminologias” que não se encontram literalmente nas Escrituras Sagradas, o que faremos então? Não usaremos as intermináveis terminologias?
Cito apenas o exemplo da terminologia “TRINDADE” que é um termo fundamental do cristianismo; se o problema é “terminologia” e a mesma não pode ser usada porque não está na palavra então prefiro usar uma que esteja, por exemplo: Atos 16:18 “... Em nome de Jesus Cristo, EU TE MANDO RETIRA-TE dela.”

Mais uma vez escrevo com o fim de esclarecer sobre o que o querido amigo teólogo Leonardo Dâmaso discorre. Parece que o mesmo insiste em dizer que, pelo fato deste dito verbo επιτιμαοω epitimao aplicar-se nos eventos em que Jesus expulsa demônios, o ato de “repreender” é exclusivo de Jesus, ou seja, os cristãos não podem “repreender” em nome de Jesus, mas devem orar “corretamente” “que Jesus te repreenda” (a exemplo dado citando o anjo Miguel).
Thiago Oliveira, fiz referência a mim mesmo como alguns o fazem dizendo “sou reformado” e em momento algum o fiz com a intenção de retrucar algum comentário feito a minha pessoa.
Primeiramente todos os textos citados abaixo em que aparece a terminologia “επιτιμαοω epitima” está se referindo a expulsão de entidades malignas: Mat 17:18; Mar 1:25; 8:33; 9:25; Luc 4:35; 4:41; 9:42 (todos os verbos επιτιμαοω epitimao” estão no tempo aoristo, voz ativa e modo indicativo); sendo assim “repreender” carrega o sentido de expulsar, expelir, subjugar, submeter.
Acredito que não é possível que o Leonardo Dâmaso não entenda que estou correto com este comentário. “Os discípulos receberam autoridade para EXPELIR demônios, e não REPREENDÊ-LOS, que é diferente de EXPELIR e ORDENAR (At 16.18)” (Leonardo Dâmaso). O que seria repreender (embora esteja no aoristo, e isto é bem acertado, visto que a ordem de Jesus aos demônios não está sujeita ao tempo) senão mais um termo indicando expulsão de entidades malignas? Então você concorda que foi dada a Igreja a autoridade para “mandar os demônios saírem em nome de Jesus.”
Logicamente se nos textos anteriores citados “repreender” signifique expulsar e demais, então outros textos que carregam os termos expulsar e demais signifiquem, obviamente, “repreender”. Será que não estou sendo suficientemente coerente?
Expulsar como curar
Em Mateus 12:22 está escrito assim: “Então, lhe trouxeram um ENDEMONINHADO (δαιμονιζομαι daimonizomai – que está sob poder de demônio), cego e mudo; e ele o CUROU (θεραπευω therapeuo), passando o mudo a falar e a ver.” Notemos claramente que uma pessoa sob influencia de demônio foi trazida até Jesus e o mesmo a “CUROU” e não “repreendeu”. Curar neste caso tem função de sinônimo visto que a ação de explusar é a mesma e inclusive  verbo θεραπευω therapeuo está no tempo aoristo, voz ativa e modo indicativo.
Expulsar como expelir
Mateus 8:16 - Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu (εκβαλλω ekballo -  tempo aoristo, voz ativa e modo indicativo) os espíritos e curou todos os que estavam doentes;

Se repreender é o mesmo que expulsar, então é o mesmo que expelir. Podemos notar em vários outros textos que expulsar demônios no ministério de Jesus é relatado não apenas com o termo “repreender” mas com outros termos como curar, expelir, espulsar.

Sobre o ministério dos discípulos alguns comentários devem ser citados:

A ordem aos doze (10.5-16) Cf. Mc 6.8-11; Lc 9.1-5; 10.2-12.
Eles eram discípulos (v. 1), pois estavam aprendendo, mas, quando ele os enviou, eram apóstolos (v. 2). Esse termo significava que eles eram Mateus 10.17 os representantes autorizados daquele que os tinha enviado. Como tais receberam a mesma mensagem de Jesus (v. 7; cf. 4.17) e também a autoridade dele sobre a doença e os demônios (v. 1,8). (F. F. Bruce – comentário Bíblico NVI)
Curem as doenças, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios; de graça receberam, de graça dêem. Uma comparação de 10:8 com 4:23; 9:35 revela que o que Jesus quer dizer é isto: “Façam e continuem fazendo o que eu estou fazendo e tenho estado a fazer.” A autoridade para fazer isto já lhes havia sido comunicada (10:1). Pela graça de Deus, eles mesmos devem agora aplicar este poder. (William Hendriksen – comentário de Mateus)

Jesus via na expulsão dos demônios um sinal de que o trono de satanás esva ruindo. Ele parece estar falando de modo metafórico. Jesus teve uma visão espiritual da derrota de satanas na cruz; e a expulsão de demônios, a derrota dos agentes de satanas, confirmava a certeza da derrota de seu mestre. (D. A. Carson – Comentário Bíblico Vida Nova)

Os doze padronizam sua missão de acordo com o ministério do próprio Jesus. Eles ensinam o que Jesus proclama: que homens e mulheres devem se arrepender, pois o reino de Deus está próximo (1.15; cf. 1.4). Eles apresentam as evidências do poder do governo de Deus, libertando os endemoninhados e curando os doentes (v. 13). (F. F. Bruce – comentário Marcos)

Leonardo Dâmaso - Os cristãos podem, sim, orar pedindo ao Senhor Jesus quando se depararem com uma pessoa de fato possessa assim: SENHOR JESUS, REPREENDA SATANÁS NESTA SITUAÇÃO. REPREENDA OS DEMÔNIOS QUE ESTÃO AGINDO NA VIDA DESSA PESSOA. Este é o modo correto das Escrituras. Acredito que o arcanjo Miguel estava certo em orar de maneira semelhante.
Noto neste texto uma inconsistencia, em diversas passagens podemos ver os discípulos expulsando demônios em nome de Jesus, cujos verbos estão no imperativo, por exemplo Mateus 10:8,  EXPELIR: εκβαλλω ekballo é um verbo no tempo presente, voz ativa (Voz Ativa representa o sujeito como o agente ou executor da ação), modo imperativo (O Modo Imperativo corresponde ao nosso imperativo, e expressa uma ordem ao ouvinte para realizar uma determinada ação por comando e autoridade daquele que a emite). A Bíblia nos ensina que podemos imperativamente expulsar demônios. A respeito da dita “oração do anjo Miguel” que é absurda, pois ANJO NÃO ORA, na realidade o anjo não proferiu sentença de blasfêmia para satanás visto que o mesmo já está condenado por Jesus, e ainda mais o contexto desta passagem se refere a alguns “indivíduos se introduziram com dissimulação.” A propósito o livro de Judas foi sofreu influência do “Livro de Enoque” e “Assunção de Moisés”; seria este um motivo para não utilizarmos esta passagem como exemplo?
No demais agradeço a todos e que possamos desenvolver a nossa Salvação em unidade, amizade, ainda que os nossos posicionamentos nos causem alguns desconfortos: se aceitamos a Cristo como salvador um lugar eterno onde todas as dúvidas serão solucionadas.
AMÉM.
Rogério Vilaça.

EPISTOLAS PASTORAIS - TITO



         Datação
De acordo com o Manual Bíblico Unger a carta a Tito foi escrita por volta da mesma época de ITimóteo, aproximadamente entre 64 a 66 dC.
No comentário introdutório da Bíblia Shedd (revista e atualizada) ao livro de Tito o autor supões que o livro deva ter sido escrito mais ou menos no verão do ano de 65 dC, pouco antes de ITimóteo.
O Comentário Esperança na seção Introdução e Síntese do Novo Testamento, admite não ter precisão em relação a data mas coloca num intervalo de 60 a 65 para as pastorais onde Tito se inclui.
O Novo Comentário da Bíblia de F. Davison na seção cartas pastorais diz que é impossível colocar estas epístolas nos limites da vida do Apóstolo Paulo a não ser que aceitemos a hipótese de que Paulo foi solto da prisão e assim dedicar seus últimos anos de vida a um esforço missionário antes de ser preso outra vez, assim as epístolas foram escritas, provavelmente, por volta do ano de 62 AD e a data do martírio de Paulo entre 65 a 68 AD.
Em Introdução ao Novo Testamento de D.A. Carson, Douglas J. Moo, e Leom Morris no comentário a Tito sobre data e origem os autores dizem que os estudiosos acham melhor entender que Tito foi escrito por volta da década de 60, antes de IITimóteo e aproximadamente no mesmo período de ITimóteo quando Paulo foi liberto da sua primeira prisão.
No livro o Novo Testamento sua Origem e sua Análise de Merril C. Tenney, ele não precisa uma data, mas diz que Tito segue-se cronologicamente a ITimóteo.
Em Introdução ao estudo do Novo Testamento por Broadus D. Hale ele descreve que Paulo esteve em Creta, Éfeso, Troade, Macedônia, mileto, Corinto e Roma.

         O tempo envolvido seria de 60 a 61 dC até uma data desconhecida após o incêndio de Roma em 19 de julho de 64 dC. Culminando com a morte do Apostolo por volta de 65 dC.
R.N. Champlin situa a datação das epístolas pastorais por volta de 65 a 68 dC embora ITimóteo e Tito possam ter sido escritos no intervalo entre os dois aprisionamentos de Roma.
Os diversos autores não convergem para uma datação comum, precisa ou até mesmo aproximada, ficando a datação entre 60 a 68 dC.
De acordo com a aula em classe, o professor Nonato Vieira sugere a cronologia abaixo:
1-                      45 dC - 1ª viagem do apostolo
2-                      50 dC – 2ª viagem do apostolo
3-                      58 dC – epistola aos Romanos
4-                      61-63 dC – prisão
5-                      63 dC – libertação
6-                      64 dC – incêndio em Roma
7-                      66 dC (verão) – epistola a ITm
8-                      66 dC – epistola a Tt
9-                      67 dC – epistola a IITm
10-                  67 dC – morte de Paulo

         A pessoa de Tito
Tito aparece no Novo Testamento como um pastor ideal, e Paulo deixa visível a sua preocupação com Tito. A alegria cristã e sua dedicação serviram de inspiração para Paulo, o apostolo chegou a comparar a sua atitude com a de Tito.
Estas alusões que Paulo faz a respeito de Tito reflete o caráter de Tito, indicam o relacionamento estreito entre Tito e o apostolo e suas qualidades como pastor. Paulo chama Tito de verdadeiro filho na fé que nos é comum.
No que respeita a Tito o nome dele aparece algumas vezes no novo testamento sendo duas vezes em Galatas, uma vez em IITimóteo, uma vez em Tito e nove vezes em IICorintios. O nome de Tito não é mencionado em Atos dos Apóstolos embora sabemos que ela era cooperador com Paulo.
Tito é um homem de inabalável lealdade a causa do evangelho e disposto a comissões difíceis e um elevado respeito por Paulo. Tito é mais líder do que Timóteo, pois Tito não só recebe ordens, mas também pode proceder segundo o seu próprio critério. Timóteo é naturalmente tímido, necessita de estímulo enquanto que Tito é mais motivado por si mesmo, agressivo e consciente dos propósitos e missão.
Tito é uma pessoa que se transforma em ponto importante para exemplificar um gentil transformado pelo evangelho:Tito é grego de pais gregos. Nada mais se ouve de Tito até a terceira viagem de Paulo. Tito recebeu a missão de ir a Corinto para solucionar a situação coríntia.
A missão de Tito foi bem sucedida na medida considerável, com seu impulso, dinamismo e firmeza conseguiu contornar a situação, em Tito não vemos nenhuma hesitação.
         A próxima missão de Tito é administrar a igreja em Creta ou igrejas. Segundo a tradição diz-se que Tito tornou-se bispo e permaneceu solteiro. De uma maneira geral existe diferença entre a pessoa de Timóteo e Tito que se observa no poder de liderança de ambos e resultados, no entanto, ambos são homens notáveis na vida ministerial do Apóstolo Paulo, e contribuíram profundamente para o avança do evangelho.

A mensagem e propósitos de Tito

A carta de Tito é bem parecida com as cartas de Paulo a Timóteo. Tito foi escrito com o mesmo propósito de incentivar e fortalecer um jovem pastor a quem Paulo havia consolidado, em quem tinha muita confiança e que o considerava como filho.
A carta a Tito foi construída para instruir outros anciãos em Creta que trabalhavam sob sua liderança, e instruir outros membros de outras igrejas.
Embora o livro de Tito não é tão doutrinário como outras acartas do apóstolo, contem muitos tesouros doutrinais como fé, salvação pela graça de Deus. A carta é basicamente pratica estabelecendo as obrigações e responsabilidades que temos como filhos de Deus.
A carta de Paulo a Tito foi produzida a partir de três impulsos primários, a saber, 1- a necessidade de combater as heresias, em especial as heresias Judaico – cristãs que invocavam o judaísmo e as tradições e as heresias Gnósticas greco – orientais que tinham muitas facetas; 2- a necessidade de encorajar a nomeação de homens espirituais e moralmente qualificados para o ministério; 3- a necessidade de instrução para uma vida de testemunho cristão eficaz.

         Destinatário
A saudação epistolar é tipicamente paulina e tem sólido apoio nos textos alexandrinos e dos textos ocidentais. Quinn (em ‘o livro de Tito’) entende que o Apóstolo não mencionou o destinatário da carta de propósito para não dar a entender que a carta era apenas uma correspondência pessoal e que deveria ser lida na igreja.
De acordo com Willian Hendriksen é elementar que os destinatários das pastorais são Timóteo e Tito e visto a natureza do conteúdo, mensagem e propósitos estas foram lidas posteriormente nas igrejas.
Para John Macarthur, Tito e a igreja em Creta são os destinatários da carta do apostolo Paulo.
Para Champlin as epistolas pastorais são endereçadas aos jovens pastores Timóteo e Tito que se tornaram figuras exemplares para odo aquele que aspira o mesmo.

A ilha de Creta.
Creta é uma ilha montanhosa que fica no mar mediterrâneo, ao sul do mar Egeu. Tem cerca de 250 km de comprimento, variando em largura de 11 a 56 km. O clímax da civilização cretense foi atingido na primeira metade da idade do bronze (minioano posterior, 1600 a 1400 aC). O linear B, uma forma arcaica de grego, era o idioma desse tempo, talvez os gregos tenham modificado a linguagem que antes era provavelmente de origem semita. Perto do fim da idade do bronze, gregos dóricos chegaram a ilha, que então, se tornou uma colônia grega.
Já desde o inicio da sua história havia muitas cidades apesar de seu tamanho minúsculo. Nos dias do apostolo Paulo o numero de judeus ali era grande, provavelmente devido a sua importância comercial. Pelo que se lê em Tito 1:5, já deveria haver muitas igrejas naquela ilha quando Paulo enviou Tito para aquele lugar, porquanto o apostolo dos gentios e outros já haviam evangelizado bastante aquela ilha.
         Nessa ilha haviam cerca de cem cidades e as mais importantes eram Cnossos, Cortina, Lictoso, Licastos, Holpixos, Paesto, Cidon, Manetusa e Dietina.

Esboço do livro de Tito
Esta carta se divide facilmente em três partes.
1-      designação dos líderes da igreja (1:5-16);
2-      como aconselhar e trabalhar com diversos grupos sociais (2:1-15);
3-      exortações gerais (3:1-11).
Após a saudação (1:1-4), Paulo expressa a razão por que ele deixara Tito em Creta (1:5,6) e como Tito deveria proceder na escolha de pessoas para a liderança na igreja (1:7-9). Tito é advertido acerca dos falsos mestres e da necessidade de refutá-los (1:10-16). A norma para a conduta cristã normal é observada para diferentes grupos de pessoas (2:1-10), e enfocam-se as obrigações e privilégios de um cristão numa sociedade (2:11-15). Exortações acerca de males especiais na comunidade (3:1-3) são acompanhadas pela base para um ministro realizar o que é bom (3:4-8). Após algumas admoestações finais acerca dos falsos ensinos (3:9-11), são dadas instruções pessoais (3:12-14). A carta encerra com saudações finais e uma bênção (3:15).

BIBLIGRAFIA
- Enciclopédia de Bíblia teologia e filosofia – R.N. CHAMPLIN
- Manual Bíblico Unge – MERRIL FREDERICK
- Variantes textuais do Novo Testamento – ROGER L. OMANSON
- Bíblia Shedd
- Introdução ao estudo do Novo Testamento - Hale, Broadus David
- Comentário Esperança
- O novo comentário da Bíblia – F. DAVIDSON
- Comentário de I II Timóteo e Tito – WILLIAN HENDRIKSEN
- Novo Testamento comentado (TITO) – JOHN MACARTHUR
- Panorama do Novo Testamento – ROBERT GUNDRY
- Introdução ao Novo Testamento - D.A. Carson, Douglas J. Moo, e Leom Morris
- Novo Testamento sua Origem e sua Análise -Merril C. Tenney


Uma igreja que diz não a este mundo




Rm 12:2 - E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Paulo escreve primorosamente o que os comentaristas dizem ser a carta mais bem preparada po Paulo aos cristãos da Igreja de Cristo em Roma.
Roma era a capital de um território que incluía todas as regiões frontei­riças do Mediterrâneo, os países antigos do Oriente Próximo e do Oriente Médio, a Bretanha e as partes do Nordeste da África. Roma era a figura dominante em todas as questões imperiais: políticas, sociais, militares, comerciais e religiosas.
Pessoas de todas as partes do Império vinham a Roma para participar da vida extravagante na capital. Durante o primeiro século da era crista, acima de 1.500.000 pessoas habitavam em Roma, das quais 800.000 eram escravos. A riqueza e a cultura romanas exigiam uma multidão de escravos domésticos. As pessoas que vinham a Roma, fossem livres ou escravas, traziam com elas sua base cultural e religião própria.
Certo da problemática que enfrentava a Igreja em Roma o Apóstolo escreve:
E não vos conformeis com este século (aion): não tomeis a forma deste estado de coisas, pensamentos,costumes, mentalidade...
mas transformai-vos (metamorfo) pela renovação (anakainosis) da vossa mente (nous): mudando totalmente por uma restauração total
para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus: para que assim possais reconhecer como genuino depois do exame o que Deus deseja que façais.
Assim:
Uma igreja que diz não a este mundo, não se conforma com o mesmo, transforma-se pela renovação da mente e experimenta a vontade de Deus.

1-  Uma igreja que diz não a este mundo, não se conforma com o mesmo.
Paulo chama a atenção da Igreja para que a mesma não tome a forma deste tempo (aion – estado de coisas que caracteriza uma época), seus costumes e condutas contaminadores da vida cristã, mas que a igreja imite os padrões do céu que estão prescritos na Palavra de Deus.
Parafraseando as palavras do Apóstolo: “Não tomeis a forma deste tempo que tenta vos perverter, mas tomeis a forma de Cristo em vós pela Palavra de Deus”

2-  Uma igreja que diz não a este mundo transforma-se pela renovação da mente.
É um imperativo à igreja a restauração para uma nova forma de entendimento, porque apenas por uma mente renovada é possível experimentar as riquezas da vontade de Deus que estão em oposição aos padrões mentais deste tempo.
“tomamos a forma de Cristo quando nos rendemos a Palavra de Deus diariamente”

3-  Uma igreja que diz não a este mundo experimenta a vontade de Deus.
A vontade de Deus pode ser traduzida de três maneiras:
a-     A vontade de Deus é que sejamos um.
Jo 17:22,23 - Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.
b-     A vontade de Deus é que amemos este mundo.
Mt 28:19,20 - Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
c-      A vontade de Deus é que tenhamos esperança.
I Tess 4:17,18 - depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.

Um dia dissemos “não” para este mundo quando Cristo nos chamou das trevas para luz e nos fez sentar em lugares celestiais; quando passamos a pastar em lugares verdes; quando passamos a seguir o bom pastor;...
Queridos irmão que possamos diariamente nos render a Palavra de Deus que nos molda segundo a vontade do Pai, que nos conduz a uma transformação de mentalidade para podermos esperimentar a vontade do Nosso Senhor.
Amem.