A ONIPOTÊNCIA DE DEUS
Não
poderemos ter correto conceito de Deus, se não pensarmos nEle como onipotente,
igualmente como Onisciente. Quem não pode fazer o que quer e não pode realizar
o que lhe agrada, não pode ser Deus. Como Deus tem uma vontade para decidir o
que julga bom, assim tem poder para executar a Sua vontade. "O poder de
Deus é aquela capacidade e força pela qual Ele pode realizar tudo que Lhe
agrade, tudo que a Sua sabedoria dirija, e tudo que a infinita pureza da Sua
vontade resolva. "... como a santidade é a beleza de todos os atributos de
Deus, assim o poder é aquilo que dá vida e movimento a todas as perfeições da
natureza divina. Como seriam vãos os conselhos eternos, se o poder não
interviesse para executá-los! Sem o poder, a Sua misericórdia seria apenas uma
débil piedade, as Suas promessas um som vazio, as Sua ameaças mero espantalho.
O poder de Deus é como Ele mesmo: infinito, eterno, incompreensível; não"
pode ser refreado, nem restringido, nem frustrado pela criatura”.
“Uma
coisa disse Deus, duas vezes a ouvi: que o poder pertence a Deus" (Salmo
62:11). "Uma vez falou Deus": nada mais é necessário! Passarão os
céus e a terra, porém a Sua palavra permanece para sempre. "Uma vez falou
Deus": como Lhe fica bem a Sua majestade divina! Nós, pobres mortais,
podemos falar muitas vezes e, contudo, sem sermos ouvidos. Ele fala somente uma
vez, e o trovão do Seu poder é ouvido em mil montanhas. “E o Senhor trovejou
nos céus, o Altíssimo levantou a sua voz; e havia saraiva e brasas de fogo.
Despediu as suas setas, e os espalhou: multiplicou ratos, e os perturbou, Então
foram vistas as profundezas das águas, e foram descobertos os fundamentos do mundo;
pela tua repreensão, Senhor, ao soprar das tuas narinas" (Salmo 18:13-15).
A
ONISCIÊNCIA DE DEUS
Deus
é onisciente. Ele sabe todas as coisas — todas as coisas possíveis, todas as
coisas reais, todos os eventos, conhece todas as criaturas, todo o passado,
presente e futuro. Conhece perfeitamente todos os pormenores da vida de todos
os seres que há no céu, na terra e no inferno. "... conhece o que está em
trevas..." (Daniel 2:22). Nada escapa à Sua atenção, nada pode ser escondido
dEle, não há nada que Ele esqueça! Bem podemos dizer com o salmista: "Tal
ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir"
(Salmo 139:6). Seu conhecimento é perfeito. Ele jamais erra, nem muda, nem passa
por alto coisa alguma. "E não há criatura alguma encoberta diante dele:
antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de
tratar" (Hebreus 4:13). Sim,
tal é o Deus a quem temos de prestar contas!
A
SOBERANIA DE DEUS
Pode-se
definir a soberania de Deus como o exercício de Sua supremacia. Sendo
infinitamente elevado acima da mais elevada criatura, Ele é o Altíssimo, o
Senhor dos céus e da terra. Não sujeito a ninguém, não influenciado por nada,
absolutamente independente: Deus age como Lhe apraz, somente como Lhe apraz,
sempre como Lhe apraz. Ninguém consegue frustrá-lo nem impedi-Lo. Assim, Sua
Palavra declara expressamente: "... o meu conselho será firme, e farei toda
a minha vontade (Isaías 46:10). "... segundo a sua vontade ele
opera com o exército do céu e os moradores da terra: não há quem possa estorvar
a sua mão..." (Daniel 4:35). O sentido da soberania divina é que
Deus é Deus de fato, bem como o é de nome, que Ele ocupa o trono do universo
dirigindo todas as coisas, fazendo todas as coisas "... segundo o conselho
da sua vontade" (Efésios 1:11).
A
SANTIDADE DE DEUS
"Quem
te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és
santo..." (Apocalipse 15:4). Somente Ele é independente, infinita e imutavelmente
santo. Muitas vezes Ele é intitulado "O Santo" nas Escrituras. Sim,
porque se acha nEle a soma total de todas as excelências morais. Ele é pureza
absoluta, que nem mesmo a sombra do pecado mancha, "... Deus é luz..."
(1 João 1:5). A santidade é a excelência propriamente dita da natureza divina:
o grande Deus é "... glorificado em santidade..." (Êxodo 15:11). Daí lermos:
"Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a vexação não podes
contemplar..." (Habacuque 1:13). Como o poder de Deus é o oposto da fraqueza
inata da criatura, como a Sua sabedoria está em contraste com o menor defeito
de entendimento ou com a menor insensatez, assim a Sua santidade é a própria
antítese de toda mancha ou corrupção moral. No passado Deus designou cantores
em Israel para "que louvassem a Majestade santa", ou, na versão
utilizada pelo autor, "que louvassem a beleza da santidade" (2 Crônicas
20:21).
A
FIDELIDADE DE DEUS
"Saberás,
pois, que o Senhor teu Deus é Deus, o Deus fiel..." (Deuteronômio 7:9).
Esta qualidade é essencial ao Seu ser; sem ela Ele não seria Deus. Pois, ser
Deus infiel seria agir contrariamente à Sua natureza, o que é impossível.
"Se formos infiéis, ele permanece fiel: não pode negar-se a si mesmo"
(2 Timóteo 2:15). A fidelidade ê uma das gloriosas perfeições do Seu ser,
É como se Ele estivesse vestido com esta perfeição; "O Senhor, Deus dos Exércitos,
quem é forte como tu, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ri?!" (Salmo
89;8). Assim também, quando Deus Se encarnou, foi dito: "E a justiça será
o cinto dos seus lombos, e a verdade o cinto dos seus rins" (Isaías 11:5).
A
GRAÇA DE DEUS
A
graça divina é o soberano e salvador favor de Deus exercido na dádiva de
bênçãos a pessoas que não têm em si mérito nenhum, e pelas quais não se exige
delas nenhuma compensação. Não apenas isso, é ainda mais; é o favor de Deus
demonstrado a pessoas que, não só não possuem merecimentos próprios, mas são
totalmente merecedoras do inferno. É completamente imerecida, não é procurada
de modo nenhum e não é atraída por nada que haja nos objetos aos quais é dada,
por nada que deles provenha, e tampouco pelos próprios objetos.
A
graça não pode ser comprada, nem obtida, nem conquistada pela criatura. Se pudesse,
deixaria de ser graça. Quando dizemos que uma coisa é "de graça", queremos
dizer que seu recebedor não tem direitos sobre ela, que de maneira nenhuma ela
lhe era devida. Chega-lhe como pura caridade e, a princípio, não solicitada nem
desejada.
A
MISERICÓRDIA DE DEUS
No
empenho em estudar a misericórdia de Deus como exposta nas Escrituras, é
preciso fazer uma tríplice distinção, se é que a Palavra da Verdade há de ser
"bem manejada" nesse ponto. Primeiro, há uma misericórdia geral de
Deus, que se estende não somente a todos os homens, crentes e descrentes igualmente,
mas também à criação inteira: “... as suas misericórdias são sobre todas as
suas obras" (Salmo 145:9); "... de mesmo é quem dá a todos a vida, e
a respiração, e todas as coisas" (Atos 17:25). Deus tem compaixão da
criação animal em suas necessidades, e a supre de provisão adequada. Segundo,
há uma misericórdia especial de Deus, exercida para com os filhos dos
homens, ajudando-os e socorrendo-os, apesar dos seus pecados. Também a estes
Deus supre todas as necessidades da vida: "... porque faz que o seu sol se
levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos"
(Mateus 5:45). Terceiro, há uma misericórdia soberana, reservada para os
herdeiros da salvação, comunicada a estes por meio de uma aliança, através do
Mediador.
O AMOR DE DEUS
As
Escrituras nos dizem três coisas a respeito da natureza de Deus. Primeira,
"Deus é espírito" (João 4:24). No grego não há artigo
indefinido. Dizer "Deus é um espírito" é sumamente repreensível, pois
O coloca na mesma classificação de outros seres. Deus é "espírito" no
sentido mais elevado. Como é "espírito", é incorpóreo, não tem
substância visível. Tivesse Deus um corpo tangível, não seria onipresente,
estaria limitado a um lugar; sendo "espírito", enche os céus e a
terra. Segunda, "Deus é luz" (1 João 1:5), o que é oposto às trevas.
Nas Escrituras as "trevas" representam o pecado, o mal, a morte; a
"luz" representa a santidade, a bondade, a vida. "Deus é
luz" significa que Ele é a soma de todas as excelências. Terceira,
"Deus é amor" (1 João 4:8). Não é simplesmente que Deus ama, porém
que ê amor mesmo. O amor não é meramente um dos Seus atributos, mas sim
Sua própria natureza.
1.
O amor de Deus é imune de influência alheia. Queremos dizer com isso que
não há nada nos objetos do Seu amor que possa colocá-lo em ação, e não há- nada
na criatura que possa atraí-lo ou impulsioná-lo. O amor que uma criatura tem
por outra deve-se a algo existente nelas; mas o amor de Deus é gratuito
espontâneo e não causado por nada nem por ninguém.
2.
É eterno. Necessariamente, Deus é eterno, e Deus é amor; portanto, como
Deus não teve princípio, Seu amor também não teve. Mesmo concedendo que esse
conceito transcende o alcance das nossas frágeis mentes, contudo, quando não
podemos compreender, podemos inclinar-nos em adoração. Como é claro o
testemunho de Jeremias 31:3: "... com amor eterno te amei, também com
amorável benignidade te atraí"! Que bem-aventurança saber que o grandioso
e santo Deus amava o Seu povo antes do céu e a terra terem sido chamados à
existência, que Ele pusera o Seu coração neles desde toda a eternidade! Esta é
uma prova clara de que o Seu amor é espontâneo, pois Ele os amou eras sem fim,
antes de sequer existirem!
3.
É infinito. Em Deus tudo é infinito. Sua essência enche os céus e
a terra. Sua sabedoria não sofre nenhuma limitação, porquanto Ele
conhece todas as coisas, do passado, do presente e do futuro. Seu poder é
ilimitado, pois não há nada difícil demais para Ele. Assim, o Seu amor é sem
limite. Há nele uma profundidade que ninguém consegue sondar; há nele uma
altitude que ninguém consegue escalar; há nele uma largura e um comprimento que
desdenhosamente desafiam a medição feita por todo e qualquer padrão humano. É
declarado belamente em Efésios 2:4: "Mas Deus, que é riquíssimo em
misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou". A palavra
"muito" aqui faz paralelo com a expressão "... Deus amou... de
tal maneira..." (João 3:16), Diz-nos que o amor de Deus é tão transcendental
que não pode ser avaliado.
4.
E imutável. Como em Deus "... não há mudança nem sombra de variação"
(Tiago 1:17), assim o Seu amor não conhece mudança nem diminuição. O verme Jacó
dá-nos enfático exemplo disto: "Amei Jacó", declarou Jeová, e, a
despeito de toda a sua incredulidade e obstinação, Ele nunca deixou de amá-lo.
João 13:1 oferece-nos outra bela ilustração. Precisamente naquele noite um dos
apóstolos diria "... mostra-nos o Pai. .."; outro O negaria soltando maldições;
todos se escandalizariam por causa dEle e O abandonariam. Todavia, "...
como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao
fim". O amor divino não se rende às vicissitudes. O amor divino é
"... forte como a morte ... as muitas águas não poderiam apagar este
amor..." (Cantares de Salomão 8:6-7). Nada nos pode separar dele: Romanos
8:35-39. "Seu amor não se mede e não conhece fim, nada pode mudá-lo, nem
seu curso. Eternamente o mesmo, sem cessar dimana do manancial eterno."
5.
É santo. O amor de Deus não é regulado por capricho, paixão ou sentimento,
mas por princípio. Exatamente como a Sua graça reina, não às suas expensas, mas
"pela justiça" (Romanos 5:21), assim o Seu amor nunca entra em
conflito com a Sua santidade. Que "Deus é luz" (1 João 1:5) se menciona
antes de dizer-se que "Deus é amor" (1 João 4:8). O amor de
Deus não é mera fraqueza boazinha, nem brandura efeminada. As Escrituras declaram:
"... o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho"
(Hebreus 12:6). Deus não tolerará o pecado, mesmo em Seu povo. O Seu amor é puro,
e não se mistura com nenhum sentimentalismo piegas.
6.
É pleno de graça. O amor e o favor de Deus são inseparáveis. Esta verdade
é exposta claramente em Romanos 8:32-39. O que é esse amor, do qual, nada nos
pode -separar, percebe-se facilmente pelo propósito e alcance do contexto
imediato: é aquela boa vontade ou beneplácito e graça de Deus que O determinou
a dar Seu Filho pelos pecadores. Esse amor foi o poder impulsivo da encarnação
de Cristo: "... Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito..." (João 3:16). Cristo morreu, não para fazer com que Deus nos amasse,
mas porque Ele amava o Seu povo. O Calvário é a suprema demonstração do amor
divino. Leitor cristão, sempre que você for tentado a duvidar do amor de Deus,
volte ao Calvário.
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